História do Departamento

Criada em dezembro de 1961, a Universidade de Brasília começou a funcionar em abril de 1962. O Departamento de Filosofia e História foi então constituído com alguns filósofos e um grupo maior de historiadores. Em 1972, a universidade deixou de admitir vestibulandos para filosofia, o que acarretou o fim do curso de graduação daquela época. Em torno de 1974, os geógrafos foram transferidos para a citada subunidade, que passou a chamar-se Departamento de Geografia e História, com apenas dois filósofos, cuja função cingiu-se à oferta da disciplina Introdução à Filosofia, além de algumas outras. No período 1962-75, foram realizadas quatro semanas de filosofia na Universidade de Brasília.

Ao final de 1976, a disciplina Iniciação à Metodologia Científica, que era oferecida semestralmente no antigo ciclo básico, com dez turmas de quarenta alunos ou mais, passou para a área de filosofia. Essa nova responsabilidade acarretou a necessidade de contratações. Em 1978, o então grupo de filosofia do Departamento de Geografia e História contava com sete docentes, que almejavam restaurar a antiga graduação e formar o seu próprio departamento. Duas vezes ao mês, o grupo realizava discussões sobre temas filosóficos, as semanas de filosofia foram retomadas e se tornaram regulares. A série de discussões quinzenais assumiu a denominação de Seminário Permanente de Filosofia (SIP-FIL) e realizou-se continuamente até 2005. As semanas de filosofia prosseguiram, sendo que a de 2009 foi a trigésima sétima. Não obstante, entre 1972 e 1983, o principal trabalho do grupo de filosofia da UnB foi a oferta de disciplinas introdutórias destinadas a discentes de outros cursos. Nesse sentido, o grupo era um centro de prestação de serviços para múltiplos departamentos.

Nos anos 1980, em todo o país, desenvolveu-se a proposta do retorno do ensino de filosofia à escola de segundo grau. Em 1982, um artigo a respeito desse tema foi publicado na imprensa nacional por um membro do grupo de filosofia. Em 1985, em colaboração com a então Fundação Educacional do Distrito Federal, teve lugar um curso de formação continuada para docentes do segundo grau, curso esse oferecido a numeroso público por três professores-filósofos da universidade. Uma semana de filosofia teve como tema o ensino da disciplina na escola média.

Em 1984, a universidade retomou a graduação (bacharelado e licenciatura) em filosofia. Inicialmente, não havia vestibular para a área, mas sim um processo de seleção aberto a portadores de diploma de curso superior, alunos que já faziam um curso na UnB (dupla opção) e alunos de filosofia em outras instituições que desejassem se transferir para a UnB. Três anos mais tarde, o correspondente vestibular foi restaurado. No currículo então em vigor, a formação filosófica se constituía das seguintes disciplinas obrigatórias filosóficas, que eram um desdobramento do “currículo mínimo” para a área, conforme determinação do Ministério da Educação (MEC):

- História da Filosofia Antiga

- História da Filosofia Medieval

- História da Filosofia Moderna

- História da Filosofia Contemporânea

- História da Filosofia no Brasil

- Filosofia Geral: Problemas Metafísicos

- Antropologia Filosófica

- Introdução à Filosofia

- Lógica 1

- Lógica 2

- Teoria do Conhecimento

- Teoria da Ciência

- Filosofia da Linguagem

- Filosofia Social e Política

- Filosofia da História

- Ética

Além dessas, eram obrigatórias as disciplinas do então ciclo básico e também “Dissertação Filosófica”, que correspondia a um trabalho de conclusão de curso, além de “Sociologia do Conhecimento”, que não era oferecida pelo grupo de professores de Filosofia. Além das obrigatórias, os estudantes deveriam cumprir os créditos mínimos do curso com optativas de uma lista que não distinguia entre disciplinas de filosofia e de outras áreas do conhecimento.

A opção de licenciatura exigia as mesmas obrigatórias do bacharelado, acrescentadas da formação psicoeducacional, a cargo da Faculdade de Educação e do Departamento de Psicologia, e do Estágio Supervisionado em um semestre, oferecido por professor de Filosofia.

Em junho de 1986, extingue-se o Departamento de Geografia e História. Em seu lugar, três novas subunidades foram criadas, entre as quais o Departamento de Filosofia (FIL), com dez docentes. Horizontes abriram-se para o trabalho filosófico na universidade, com ênfase sobre o seu caráter profissional. Disciplinas mais avançadas passaram a ser regularmente ofertadas, também com acesso aberto a interessados oriundos de outros departamentos. Professores-filósofos ministraram cursos de graduação e de pós-graduação em vários institutos, além de realizarem múltiplas atividades interdisciplinares. O Departamento de Filosofia fez-se representar nas várias reuniões nacionais de departamentos congêneres, que então tinham lugar em diferentes partes do país.

Em 1988, acompanhando a reforma geral dos cursos de graduação da UnB – que, entre outras coisas, extinguiu o ciclo básico – fez-se uma reforma do currículo de graduação em Filosofia. A fim de evitar que um estudante de Filosofia se formasse com um número de disciplinas de outras áreas igual ou superior às de filosofia propriamente, aumentou-se a quantidade de obrigatórias: foram desdobradas as Histórias da Filosofia (Antiga 1 e 2, Medieval 1 e 2, etc.), Estética entrou no lugar de Filosofia da História e Introdução à Lógica substituiu Lógica 2 como obrigatórias. Além disso, extinguiu-se a obrigatoriedade de Sociologia do Conhecimento e de História da Filosofia no Brasil, e se dividiu Dissertação Filosófica em três disciplinas. A licenciatura continuou sendo um curso de bacharelado acrescido da formação psicoeducacional e do estágio supervisionado.

Em alguns anos de vigência do novo currículo (entre 1988/2 e 1994/1), o FIL percebeu que, apesar do benefício da formação filosófica ter aumentado substancialmente, o curso era demasiado exigente tanto para o estudante quanto para o departamento, que não tinha corpo docente suficiente para oferecer tantas obrigatórias. Além disso, havia muito pouco espaço para disciplinas optativas. Disso resultou outra reforma do currículo, que abolia a obrigatoriedade das “Histórias da Filosofia 2”, de Filosofia Social e Política, Antropologia Filosófica e Estética (devido à composição do corpo docente naquela circunstância), além de Introdução à Filosofia. Passou-se também a exigir duas dissertações filosóficas e não mais três. A grande novidade dessa reforma do currículo foi a criação de um novo tipo de disciplinas, denominadas “cadeias de seletividade”, ou seja, grupos de disciplinas de filosofia dentre as quais os estudantes eram obrigados a cursar um certo número para concluir os créditos do curso. Foram criadas três cadeias, correspondentes em grande medida às áreas de “história da filosofia”, “filosofia teórica” e “filosofia prática”. Dessa maneira, tornava-se o curso mais factível para os estudantes e a oferta mais ao alcance das possibilidades do departamento, pois as cadeias de seletividade permitiam grande flexibilidade de oferecimento de turmas sem prejudicar os discentes. A licenciatura mais uma vez acompanhou a reforma naquilo que havia mudado no bacharelado, não se alterando a parte de formação do futuro profissional de ensino em Filosofia.

 Em 1997, foi feita uma pequena reforma no currículo de licenciatura, abolindo a obrigatoriedade de Estudo dos Problemas Brasileiros e desmembrando o Estágio Supervisionado em duas disciplinas, mantendo a carga horária anterior. Quanto ao mais, manteve-se a estrutura do currículo do 1994/2, que está em vigor até hoje.

Uma vez consolidados o departamento e os currículos de graduação, a nova meta do FIL passou a ser a pós-graduação. Em 1999, a CAPES aprovou a criação do mestrado em filosofia na Universidade de Brasília, que começou a funcionar em 2000. As exigências inerentes à nova situação acarretaram esforços, sobretudo no que diz respeito às publicações. Em alguns anos, cresceram de modo significativo a quantidade e a qualidade de livros e artigos de docentes, assim como o incentivo à produção discente. Vencida tal etapa, a meta natural do programa é iniciar um doutorado.

Nesse meio tempo, porém, o MEC aprovou uma nova legislação para cursos de licenciatura, aumentando a exigência de carga horária de estágios e exigindo, além disso, um grande número de horas de práticas pedagógicas ligadas às disciplinas de formação na área específica.

No ano de 2009 o departamento de filosofia passou por um processo de ampliação do número de professores com vistas a dobrar o número de alunos atendidos no curso de filosofia. No primeiro vestibular de 2010 iniciou-se o ingresso de 40 alunos por semestre. No segundo semestre de 2010, iniciou-se também o curso de Licenciatura noturno com mais 40 vagas semestrais.